RNPI elabora mapeamento sobre obesidade na Primeira Infância
A Rede Nacional Primeira Infância (RNPI) elaborou um relatório com dados sobre a obesidade na Primeira Infância. O Relatório Mapeamento Obesidade na Primeira Infância traz
informações sobre o problema nessa fase da vida e alerta para os
impactos na saúde como: estresse, hipertensão, problemas no coração e,
sobretudo, limitações em relação ao brincar, correr, pular, em fim, ser
criança. A realidade, antes relacionada às crianças de outras culturas,
em especial à cultura norte americana, tornou-se foco de atenção dos
brasileiros.
A proposta do trabalho foi compilar dados e informações referentes à faixa etária de zero a seis anos, e, tomando-os como base, recomendar e propor planos de ação sobre a temática. “Espera-se que estas recomendações possam ser disseminadas para diferentes instâncias a fim de fomentar ações de cidadania para crianças de até seis anos de idade pela Rede Nacional Primeira Infância”, conforme descrito na justificativa da abordagem temática. O material está inserido na Ação Finalística Criança com Saúde, do Plano Nacional da Primeira Infância (PNPI) e, além dos impactos na saúde, traz informações sobre critérios para diagnóstico, programas, projetos, ações e/ou políticas públicas em execução relacionados ao assunto, uma lista de instituições e leis normativas relacionadas ao tema.
A Avante Indica a leitura do documento por considerá-lo uma publicação que traz elementos de interesse da sociedade em geral, em especial pais, urbanistas e planejadores do espaço público e meios de comunicação que têm enfrentado o desafio de abordar o tema sob a perspectiva da realidade brasileira.
Obesidade
A obesidade é uma doença crônica, complexa e de etiologia multifatorial. A importância dessa condição na infância se dá pela complexidade do tratamento e da elevada possibilidade de persistência deste quadro na vida adulta, além de sua associação a outras doenças não transmissíveis, em idades precoces.
A proposta do trabalho foi compilar dados e informações referentes à faixa etária de zero a seis anos, e, tomando-os como base, recomendar e propor planos de ação sobre a temática. “Espera-se que estas recomendações possam ser disseminadas para diferentes instâncias a fim de fomentar ações de cidadania para crianças de até seis anos de idade pela Rede Nacional Primeira Infância”, conforme descrito na justificativa da abordagem temática. O material está inserido na Ação Finalística Criança com Saúde, do Plano Nacional da Primeira Infância (PNPI) e, além dos impactos na saúde, traz informações sobre critérios para diagnóstico, programas, projetos, ações e/ou políticas públicas em execução relacionados ao assunto, uma lista de instituições e leis normativas relacionadas ao tema.
A Avante Indica a leitura do documento por considerá-lo uma publicação que traz elementos de interesse da sociedade em geral, em especial pais, urbanistas e planejadores do espaço público e meios de comunicação que têm enfrentado o desafio de abordar o tema sob a perspectiva da realidade brasileira.
Obesidade
A obesidade é uma doença crônica, complexa e de etiologia multifatorial. A importância dessa condição na infância se dá pela complexidade do tratamento e da elevada possibilidade de persistência deste quadro na vida adulta, além de sua associação a outras doenças não transmissíveis, em idades precoces.
As crianças do Pantanal precisam reaprender a plantar
JUSSARA
UTSCH*
21/10/2014
A Rede Nacional Primeira Infância (RNPI) elaborou um relatório com dados sobre a obesidade na Primeira Infância. O Relatório Mapeamento Obesidade na Primeira Infância traz
informações sobre o problema nessa fase da vida e alerta para os
impactos na saúde como: estresse, hipertensão, problemas no coração e,
sobretudo, limitações em relação ao brincar, correr, pular, em fim, ser
criança. A realidade, antes relacionada às crianças de outras culturas,
em especial à cultura norte americana, tornou-se foco de atenção dos
brasileiros. A
proposta do trabalho foi compilar dados e informações referentes à
faixa etária de zero a seis anos, e, tomando-os como base, recomendar e
propor planos de ação sobre a temática. “Espera-se que estas
recomendações possam ser disseminadas para diferentes instâncias a fim
de fomentar ações de cidadania para crianças de até seis anos de idade
pela Rede Nacional Primeira Infância”, conforme descrito na
justificativa da abordagem temática. O
material está inserido na Ação Finalística Criança com Saúde, do Plano
Nacional da Primeira Infância (PNPI) e, além dos impactos na saúde, traz
informações sobre critérios para diagnóstico, programas, projetos,
ações e/ou políticas públicas em execução relacionados ao assunto, uma
lista de instituições e leis normativas relacionadas ao tema. A Avante
Indica a leitura do documento por considerá-lo uma publicação que traz
elementos de interesse da sociedade em geral, em especial pais,
urbanistas e planejadores do espaço público e meios de comunicação que
têm enfrentado o desafio de abordar o tema sob a perspectiva da
realidade brasileira.ObesidadeA
obesidade é uma doença crônica, complexa e de etiologia multifatorial. A
importância dessa condição na infância se dá pela complexidade do
tratamento e da elevada possibilidade de persistência deste quadro na
vida adulta, além de sua associação a outras doenças não transmissíveis,
em idades precoces.
Plantar o próprio alimento é uma tarefa já esquecida pelos moradores das grandes cidades. Desde a década de 1940, quando a comida industrializada tronou-se uma realidade e as grandes redes de supermercado passaram a ditar a nossa dieta, ganhamos agilidade em nossa rotina, mas perdemos uma importante conexão com a natureza. Deixamos de compreender os ciclos do semear, cultivar e colher.
Hoje, mesmo em regiões distantes e
isoladas, como o Pantanal, muitas crianças nunca viram uma horta. A facilidade
para comprar alimentos nos supermercados reduziu o antigo hábito de se cultivar
ao menos alguns legumes e frutas nos quintais. Os espaços das moradias também
são cada vez menores e falta área nos quintais, muitas vezes completamente
cimentados. É claro que ainda existem muitas frutas nativas ou super
adaptadas, como o caju, a goiaba e a manga, porém no coração do Pantanal o
hábito de plantar vai aos poucos se perdendo.
Essa desconexão com o ambiente já pode
ser notada nas novas gerações. Um dos alertas sobre os riscos desse processo
vem do premiado escritor americano Michael Pollan. Em seu livro “O dilema do
Ornívoro”, Polan nos relembra dos danos que essa nova forma de alimentação pode
gerar tanto para nós, quanto para o planeta, como o aumento das emissões de
gases que causam o aquecimento global, por exemplo. Outro alerta do autor é que
as pessoas pararam de perceber que o seu alimento está dentro da cadeia natural
e que começa na natureza, com as plantas e os animais. A perda desse importante
elo faz parecer que nossos alimentos vêm magicamente do supermercado e não há
ligação alguma com a qualidade do solo, as chuvas e a biodiversidade para a
garantia da nossa nutrição.
Uma das ações do Projeto Bichos do
Pantanal, realizado pelo Instituto Sustentar, é ajudar a mudar essa realidade
através de uma iniciativa simples: a construção de hortas nas escolas do
Pantanal. A ideia é incentivar as crianças e os jovens da região a literalmente
colocarem a mão na terra e se sentirem novamente partes integrantes do meio
ambiente.
Desde setembro, o grupo de instrutores
do Projeto dedica-se a criar um piloto para essas hortas na escola Duque de
Caxias, em Cáceres, no Mato Grosso. A cidade está localizada às margens do rio
Paraguai, o principal formador desse ecossistema. Mas, mesmo vivendo em uma das
regiões de maior diversidade do país, a desconexão entre as crianças de Cáceres
e o meio ambiente pode ser notada desde os primeiros dias de atividades na
horta.
“Quando elas saem da sala e percebem
que a atividade é trabalhar na horta a alegria toma conta. Muitas nunca
colocaram a mão na terra para plantar nada”, afirma Orilzo de Campos Silva,
instrutor de educação ambiental do Projeto Bichos do Pantanal. “A maior alegria
delas é tocar a terra e ver as sementes crescerem”. As crianças também
participaram da escolha das verduras que seriam plantadas. Para reduzir a
necessidade de espaço, elas optaram apenas por folhas, que se integram melhor a
dieta das escolas da região, como alface, rúcula e o agrião. A ideia é criar um
sistema de hortas suspensas, compatível com os alagamentos da região, que possa
ser reproduzido com facilidade em outras escolas do Alto Pantanal, onde o
projeto atua.
O interesse das famílias foi outra
surpresa que surgiu com as primeiras sementes dessa horta-laboratório. “Pedimos
doação de alguns materiais reciclados para criarmos a parte suspensa da
sementeira. E, todas as crianças trouxeram importantes colaborações de casas.
Tem pai que veio até fotografar as mudinhas plantadas pelo filho”, diz Campos.
Além de estimular o plantio de
alimento, a segunda etapa deste trabalho é criar pequenos jardins
botânicos nas escolas. Vamos estimular que as crianças busquem as
sementes nativas do Pantanal pela cidade, em suas casas, jardins e
praças. Depois elas plantarão essas espécies nativas da região em
sementeiras. Parceiros locais, como o Instituto Federal do Mato Grosso já
nos apoiam também com a doação de mudas. Uma das propostas é tentar usar
futuramente essas mudas para reflorestamento das áreas degradadas nas margens
do rio Paraguai.
Uma parceria entre o Projeto Bichos do
Pantanal e o Instituto-E está concluindo um dos primeiros Inventários de emissões
de gases do efeito estufa do Mato Grosso. O estudo consiste em um amplo
levantamento das principais fontes emissoras de gases-estufa, que causam o
aquecimento do planeta e são responsáveis pelas mudanças climáticas, no
município de Cáceres.
A iniciativa vai nortear as ações
futuras do Projeto, que também implantará ações de neutralização de carbono em
Cáceres, através do reflorestamento de áreas degradadas, principalmente nas
regiões de mata ciliar às margens do rio Paraguai. Além da neutralização das
emissões de gases estufa (a partir do crescimento das plantas que capturam os
gases nocivos e os convertem em oxigênio), o plantio das mudas nativas também
auxilia no combate ao assoreamento do rio Paraguai, um dos principais problemas
ambientais do Pantanal.
Outro importante passo serão as aulas
na natureza para as crianças compreenderem a importância das espécies de flora
para a manutenção da biodiversidade do Pantanal. A reconexão entre as
crianças e o jovens ao meio ambiente, através do plantio de hortaliças, é
apenas parte do caminho de uma proposta muito maior.*Jussara Utsch é diretora do Instituto Sustentar e coordenadora-geral do Projeto Bichos do Pantanal, patrocinado pela Petrobras
EDUCAÇÃO INFANTIL
Lição de casa na Educação Infantil: limites
Especialistas opinam sobre como devem ser as atividades para casa nessa fase escolar
Foto: Claudia Marianno
"A experiência nesta fase deve
ser ligada à descoberta do mundo, do outro, da vivência e da
brincadeira", Tânia Fortuna, professora de Psicologia da UFRGS
![]() | Lição de casa é participação Confira mais dicas como estas no especial Lição de Casa. |
E as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, publicadas pelo MEC em 2009, determinam que a maneira adequada para promover esse desenvolvimento são as brincadeiras e as interações.
Tudo ao seu tempo
As crianças muito pequenas não estão preparadas para completar exercícios e listas, muito menos dominar conteúdos pré-determinados. Exigir isso antes da hora é prejudicial. "Experiências importantes e necessárias para o desenvolvimento das crianças estão sendo substituídas em nome dessa aceleração da escolarização", alerta Tânia Fortuna, professora de Psicologia da Educação na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).
A lição de casa geralmente está associada a uma rotina estudantil mais formalizada e muitos pais se perguntam, com razão, se a escola infantil está certa em mandar atividades para casa. Eles se preocupam, pois a tarefa pode se tornar estressante e desanimadora, criando nas crianças até uma aversão aos estudos.
O problema não é a existência da lição de casa em si, mas se o formato e o conteúdo propostos são apropriados para a Educação Infantil. "A experiência nesta fase deve ser ligada à descoberta do mundo, do outro, da vivência e da brincadeira", completa Tânia Fortuna.
Reunimos as principais dúvidas dos pais em relação ao tema e consultamos diversos especialistas para solucioná-las. Confira as respostas:
Para ler, clique nos itens abaixo:
- 1. Deve haver lição de casa na Educação Infantil?
- 2. Existe idade certa para uma criança começar a ter lição de casa?
- 3. Como saber se as atividades propostas são adequadas para o desenvolvimento do meu filho?
- 4. Qual é a quantidade recomendada?
- 5. Qual é a periodicidade ideal?
- 6. Qual é a função das atividades enviadas para casa na Educação Infantil?
- 7. Como os pais devem participar das atividades enviadas para casa na Educação Infantil?
- 8. Os pais devem corrigir a atividade antes de enviar para a escola?
- 9. Como deve ser feita a correção das atividades na escola?
- 10. O que fazer se a criança chora na hora de realizar essas atividades?
- 11. Como o assunto lição de casa pode afetar a escolha de uma creche ou pré-escola?
- 12. Por que as brincadeiras são tão importantes nessa fase?
AVANTE encaminha este texto por considerá-lo muito interessante para todos os que estejam envolvidos em projetos de primeira infância.
Autoria: Miriam Altman e Muna Maalouli
A atividade lúdica é para a criança um dos meios principais de
expressão que possibilita a investigação e a aprendizagem sobre as
pessoas e as coisas do mundo.
Ao favorecer o desenvolvimento dos aspectos cognitivos assim como a
simbolização do mundo interior de pensamentos e afetos, através da
imaginação, a criança pode dar vazão a seus desejos, conflitos e
vivencias mais íntimas.
Recorreremos aos pressupostos teóricos da psicanálise para aprofundar a
reflexão deste tema. Ao observarmos o bebe ao nascer podemos perceber
que ele é tomado por estímulos externos e internos que em alguns
momentos causam-lhe sensações prazerosas e de satisfação e em outros
desprazer e desconforto.
As reações iniciais do bebe a estes estímulos sensíveis são corporais e
é nesta busca de descarga e satisfação que vai ocorrendo a interação
com a mãe ou um outro que a represente e do qual depende não apenas para
a sua sobrevivência biológica como também para a formação e construção
da sua vida psíquica e emocional.
Segundo a teoria do psicanalista Bion, rêverie, seria o nome dado a
essa fundamental capacidade materna para a fantasia ou seja a capacidade
deste outro de ser o continente para a criança neste caos sucessivo e
desordenado de estímulos que vivencia ao acolher, digerir, nomear e
transformar essas vivências em algo de natureza psíquica.
Ao significar o que é fome, sede, dor, alegria, raiva, tristeza ou seja
a multiplicidade das vivencias emocionais que experiência, vai se
possibilitando á criança, a representação e a simbolização do mundo de
coisas e de afetos compartilhado pelos humanos através da linguagem
verbal, gestual, mímica, corporal, etc.
Dessa forma a formação da memória, do pensamento e da simbolização é
inerente ao vínculo e às experiências emocionais que a criança
estabelece com a mãe e os outros.
No início do seu desenvolvimento emocional, a forma pela qual a criança
se livra das vivencias desagradáveis que não consegue conter, é pela
descarga motora e através de atividades corporais como mordida, chute,
ou mesmo por uma necessidade de colo e de olhar exclusivos e intensos.
A possibilidade do adulto dar sentido às ações pré- verbais da criança é
que vai permitir que ela possa substituir gradativamente a ação pelo
pensamento e recorrer ao uso da linguagem verbal e da simbolização como
formas mais elaboradas de comunicação.
Essa breve exposição sobre o desenvolvimento emocional foi feita para
podermos compreender a importância da atividade lúdica neste contexto,
já que esta se caracteriza pela plasticidade psíquica através do uso da
fantasia e da criatividade.
A mãe por exemplo, ao transformar a colher que dá o alimento á criança
em aviãozinho ou ao contar estórias, brincar de esconde-esconde com os
objetos, cantarolar, fazer mímica, etc, ajuda a criança a perceber os
vários sentidos expressivos e a flexibilidade da comunicação humana.
Desta forma insere-se a possibilidade de sair de um mundo concreto,
rígido e estático de coisas e objetos e a penetrar em um mundo mutável,
fluído e rico de sentidos, que é representado pela mente.
Ao observarmos crianças ou mesmo adultos com um pensamento tão concreto
aonde as coisas se apresentam sempre de forma única , rígida e
empobrecida nos damos conta do quanto não puderam contar com alguém que
pudesse tê-los ajudado a ultrapassar a percepção imediata do mundo para
uma vivencia psíquica com maior mobilidade e criatividade.
É também, através da atividade lúdica e artística que a criança pode ir
expressando através da fantasia os seus desejos, elaborar os seus
conflitos e viver o faz-de-conta como suporte para a realidade.
Não é à toa que as crianças invertem os papéis nas brincadeiras e podem
ser papai, mamãe, professor. Já que na vida real precisam depender e se
submeter a vontade dos adultos é através da brincadeira que podem ser
este adulto que imaginam tão poderoso e maravilhoso e desta forma podem
ir elaborando os seus sentimentos de submissão, autoridade, necessidade
de autonomia e independência
Estas brincadeiras expressam conteúdos inconscientes, não cabendo ao
educador interpretá-las mas sim permitir a sua expressão. Diferente da
ludoterapia que tem como objetivo principal a compreensão dos movimentos
psíquicos amorosos e agressivos com suas expressões de angústia e
conflito, a finalidade da atividade lúdica na escola é o desenvolvimento
da afetividade através da simbolização, criatividade e socialização.
Os conteúdos mentais que parecem desconexos e absurdos para os aspectos
racionais da mente, podem ter uma riqueza de sentidos nas vivencias
emocionais embora se apresentem de forma ilógica, fantástica, múltipla e
indireta.
A razão e a afetividade percorrem caminhos diferentes em suas formas de
representação, e é a possibilidade de penetrar paralelamente nessas
diferentes apreensões do homem, das coisas e do mundo que podem permitir
à criança a integração no seu desenvolvimento cognitivo e emocional.
É desta forma que a criança poderá desenvolver o pensamento para
apreender os fundamentos da matemática, da ciência e da formação dos
conceitos lógicos e universais, mas também de se inserir no fascinante
mundo da imaginação, das multiplicidades de sentidos, das diferenças, do
devir e do movimento para melhor lidar com as vicissitudes da vida
mental. Gostaríamos também de poder expor determinadas brincadeiras de
acordo com as fases do desenvolvimento emocional da criança, e assinalar
a importância dos educadores levarem em conta a dinâmica psíquica e os
conteúdos mentais envolvidos.
Por exemplo, na fase onde há o predomínio da oralidade como forma de
apreensão do mundo, as brincadeiras de engolir, morder, contar estórias
sobre o lobo mau e outras podem ser muito significativas.
Na seqüência, em relação às vivencias da analidade, as brincadeiras com
barro, argila, areia, massinha, geleca e outros materiais afins,
possibilitam uma proximidade simbólica com as fezes, através da
transformando da meleca e da matéria sem forma em um produto criativo,
estético e de valor.
Na fase edípica as crianças brincam muito de imitar os pais, usando as
suas roupas, maquiagens e sapatos como forma de identificarem-se e de
serem os super heróis, príncipes e princesas vencendo os inimigos e
rivais.
A partir de uma maior compreensão do mundo mental, pode-se inferir que
no início do desenvolvimento a criança não tem delimitado as vivencias
que vem dela e o que decorre do mundo externo.
As experiências emocionais se apresentam de forma cindida, instantânea e
parcial não havendo integração entre elas, portanto a criança ainda não
pode fazer uma integração da mesma mãe que ora lhe gratifica e ora lhe
frustra.
As vivencias boas são idealizadas, queridas e desejadas e as
frustrantes são vivenciadas como más estando fora e causadas pelos
outros. A capacidade de integração presume a possibilidade de suportar a
frustração e de se sentir responsável pelos seus atos e sentimentos e
portanto exige trabalho ao psiquismo. A criança necessita de uma mãe e
de um ambiente que possam ajudá-la nesta difícil tarefa.
Neste sentido os contos de fadas e as estórias causam tanto fascínio
nas crianças por se utilizarem de uma comunicação muito próxima das suas
vivencias, ajudando-as na sua elaboração.
A divisão entre bom e mau, fada e bruxa, amor e ódio, expressos através
de vivencias corporais como morder, fazer pedacinhos, devorar,
envenenar, etc, simbolizam as formas iniciais de relações que a criança
estabelece.
As vivencias de onipotência, magia, idealização, perseguição, dominação
do terror e exaltação dos aspectos construtivos e reparadores,
características das estórias possibilitam à criança uma proximidade com
sua vida afetiva ajudando-a a sentir-se compreendida e acolhida.
Por outro lado, a linguagem simbólica e metafórica usada nos contos faz
com que se sinta distante e não ameaçada pelos conteúdos descritos, o
que possibilita o encantamento e o pedido de repetição do conto pelo
prazer e fascínio que esta lhe desperta.
Deste modo, ao transcorrer sobre estas questões esperamos estar
contribuindo para um maior esclarecimento da importância da atividade
lúdica no desenvolvimento infantil
Crianças protestam em várias cidades por um Brasil mais justo
As manifestações que tomaram as ruas do país na última semana
mobilizaram também os pequenos. Neste domingo (23), crianças saíram em
protesto em várias cidades. As crianças atenderam ao chamado: foram para
a rua começar a pintar um novo Brasil.
No Rio de Janeiro, com uma extensa lista de reivindicações. “Eu quero
um país mais digno e com mais escolas públicas, boas”, diz Ana Clara
Cunha, de 8 anos.
“Mares sem poluição, ruas sem lixo, sem nada”, pede Flora Barcellos, de 8 anos.
Elas querem mais honestidade, respeito. E se não for pedir muito, um… “Carro voador”, diz um menino.
O futuro terá os sonhos e os traços de cada uma delas. Essa nova geração não é apenas da cara pintada.
Muitas crianças ainda não entendem as reivindicações. Para elas, é
mais uma brincadeira ao ar livre em um dia de domingo. Mas para os pais,
é importante plantar a semente. Ajudar a criar uma sociedade mais
participativa.
“Meu filho está aqui, o que eu quero que ele aprenda é que fazer o
que pensa, se manifestar, vale a pena, e que a gente consegue mudar
fazendo isso”, declara a organizadora do evento Marina Reina.
Em Brasília, pais e filhos fizeram juntos uma bandeira do Brasil no
gramado em frente ao Congresso Nacional. O objetivo é entregar ainda
esta semana à presidente Dilma um documento com os pedidos das crianças.
Os pequenos também foram às ruas em Florianópolis. Os cartazes pediam melhorias principalmente nas áreas de saúde e educação.
“Durante a semana ele viu as manifestações pela televisão e nos
questionou com relação a isso. E o interessante é que ele queria trazer
os super-heróis para salvar o país”, conta o turismólogo Leandro Torres
Gonçalves.
Em Belo Horizonte, a Praça da Liberdade foi o palco da manifestação
infantil. Segundo os organizadores, cerca de 300 famílias se
mobilizaram.
“Um país com mais educação, mais saúde, disciplina, respeito, porque guerra se fere e não é bom se ferir”, diz uma das crianças.
“As crianças sentem esse momento histórico e elas têm vontade de
participar, de entender. A política se tornou assunto da mesa do
jantar.”, diz Kalu Brum, organizadora da manifestação.
Nos protestos por um Brasil mais justo, os pequenos manifestantes deram um show de civilidade.
Informações do G1
Fonte: Rede Nacional Primeira Infância
Fonte: Rede Nacional Primeira Infância
Relatório da Unicef aponta exclusão de criança com deficiência
Crianças com deficiência têm menos oportunidades e menos acesso a recursos e serviços do que as demais crianças, aponta o relatório “Situação Mundial da Infância 2013 – Crianças com Deficiência”, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
A exclusão não está restrita a um setor específico, mas fere direitos básicos, como o acesso à educação e à saúde.
“Para um número imenso de crianças com deficiência, a oportunidade de participar simplesmente não existe. Com enorme frequência, crianças com deficiência estão entre as últimas a receber recursos e serviços, principalmente nos locais onde tais recursos e serviços já são escassos. Com enorme constância, são objeto simplesmente de pena ou, ainda pior, de discriminação e abusos”, aponta o diretor executivo do Unicef, Anthony Laque, no relatório.
A exclusão das crianças leva à invisibilidade. “São poucos os países que dispõem de informações confiáveis sobre quantos de seus cidadãos são crianças com deficiência, quais são suas deficiências ou de que forma essas deficiências afetam sua vida”, afirma o documento. Essa invisibilidade impede que políticas públicas adequadas sejam desenvolvidas.
Segundo o Unicef, uma em cada 20 crianças com 14 anos de idade ou menos, vivem com algum tipo de deficiência moderada ou grave, o equivalente a 93 milhões de crianças no mundo.
No entanto, o fundo ressalva que a definição de deficiência varia de país para país.
No Brasil, 29 milhões de crianças até os 9 anos de idade declaram ter algum tipo de deficiência, segundo o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No país, entre os atendidos pelo Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC) –que garante um salário mínimo mensal a idosos a partir de 65 anos e a pessoas com deficiência de qualquer idade com renda familiar per capita inferior a um quarto de salário mínimo– pouco mais da metade em idade escolar está na escola.
Do total de 409.202 beneficiários com até 18 anos, em 2010, 216.890 (53%) estavam na escola. O número significa um progresso, pois em 2008, o percentual era de apenas 29%.
“A inclusão ainda é um grande desafio no Brasil, que enfrenta a falta de programas, de tratamento especializado e políticas públicas para o setor. Existem instituições que visam pura e simplesmente o acolhimento das crianças com deficiência, mas existem poucas instituições e serviços que trabalhem para a inclusão e desenvolvimento da autonomia dessas crianças”, comenta o advogado Ariel de Castro Alves, que integra o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda).
A exclusão ainda é maior entre os de baixa renda. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, em países de baixa renda, apenas entre 5% e 15% das pessoas que necessitam de produtos de tecnologia assistiva -como muletas, cadeiras de rodas, aparelhos de audição– conseguem obtê-la.
Nesses países, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), os custos econômicos da deficiência variam entre 3% e 5% do Produto Interno Bruto (PIB).
“De maneira geral, famílias com membros com deficiência têm renda mais baixa e correm maior risco de estar abaixo da linha da pobreza do que outras famílias”, diz o texto.
Para cumprir a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil lançou em 2011 o Programa Viver sem Limites, que prevê um investimento de R$ 7,6 bilhões até 2014 na articulação de políticas governamentais de acesso à educação, inclusão social, atenção à saúde e acessibilidade.
Fonte: Rede Nacional Primeira Infância.
Fonte: Rede Nacional Primeira Infância.
JUNHO 10, 2013
O brincar é parte essencial da educação infantil, segundo especialistas
Instituído no ano de 1999, por uma iniciativa da Toy Library Association –ITLA, o Dia Internacional do Brincar é celebrado em 28 de maio. No Brasil, a data foi marcada por mobilizações para reforçar a importância do brincar na infância. Conforme previsto no artigo 16 do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, parágrafo IV, o direito à liberdade compreende “brincar, praticar esportes e divertir-se”, ações que podem ser desenvolvidas no ambiente escolar.
O brincar também é reconhecido pela Convenção Internacional dos Direitos da Criança, em seu artigo 31, e pelo artigo 227 da Constituição Federal, mas, conforme afirma a professora do Núcleo de Estudos e Pesquisas do Brincar, Infância e Diferentes Contextos, Cleide Mussini Batista, isso não significa a plena aplicabilidade no contexto institucional da educação infantil e do ensino fundamental. “Há certa tendência de valorizar a educação formal em detrimento das culturas lúdicas infantis para ampliar e estimular o pleno desenvolvimento da criança como pessoa em condição peculiar de formação. Refiro-me à predominância de atividades dirigidas pelo professor, que impõem a homogeneização dos tempos, espaços e das vivências infantis”, disse.
A construção de uma escola cidadã gera muitos desafios para os professores, de acordo com Batista. “Entre os desafios, destaca-se o de conjugar uma educação cidadã na qual a liberdade e a autonomia sirvam para fins emancipatórios, contrastando com uma realidade de ausências e negações dos direitos considerados fundamentais”, explicou.
Segundo Adriana Friedmann, educadora, doutora em Antropologia da Infância, especialista na temática do brincar e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Simbolismo, Infância e Desenvolvimento – NEPSID, o tema do brincar ganhou visibilidade nos últimos 15 anos, com inúmeras discussões e marcos legais, embora ainda seja timidamente relacionado ao cotidiano das crianças. “É imprescindível que se ofereçam tempos e espaços para a criança brincar livremente, para que ela possa escolher com quem, do que, com que e onde brincar. Elas também precisam ter a oportunidade de aprender brincadeiras e outras atividades lúdicas que fazem parte do patrimônio cultural da humanidade”, analisou Friedmann.
Na escola, as atividades pedagógicas podem ser aliadas ao brincar, mas, conforme as especialistas, o brincar é expressão natural da criança. Nessa fase, ela precisa ter um período totalmente livre para brincar espontaneamente e ampliar sua imaginação, o contato com a natureza, sua maneira de se relacionar com o mundo e com o próprio corpo, fatores considerados essenciais para um desenvolvimento pleno e saudável.
A brincadeira pode ser um caminho para o educador conhecer cada criança e, a partir disso, adaptar as atividades de acordo com os interesses identificados. “Nesse cenário, o educador tem que compreender que o brincar não é somente um recurso para motivar, transmitir ou fixar conteúdos, mas, sobretudo, uma forma de expressão não verbal através da qual as crianças se mostram por inteiro, se comunicam e se desenvolvem”, disse Friedmann.
O educador no brincar
A Rede Nacional Primeira Infância, formada por organizações da sociedade civil, governo e setor privado, atua pela garantia dos direitos das crianças de 0 a 6 anos. Entre as ações desenvolvidas, está a mobilização pelo brincar. “No cotidiano das crianças há uma variação entre a escola pública, a particular e a comunitária. De maneira geral, ainda falta muito para existir um brincar autêntico. Brincando a criança é ela mesma e esse movimento é independente, vai acontecer no ritmo de cada um”, explicou a coordenadora da linha de mobilização e controle social da Avante e membro da Rede Nacional Primeira Infância – GT do Brincar, Ana Bolívia Marcílio.
Marcílio ressalta que, para brincar, não é preciso brinquedo. “A criança só precisa de seu corpo. O espaço verde, com árvores, folhas, areia, ou terra, é o melhor para esse tempo. Isso já traz toda a diversidade e cultura local”, disse. Ainda segundo a integrante do GT do Brincar, na fantasia a criança se transforma e é papel do educador propiciar um ambiente para a integração no brincar. “Na educação infantil, podemos preparar o local, organizar o ambiente para aumentar a capacidade de fantasia da criança. Mas ela não precisa de muito, folhas de papel, por exemplo, já são o suficiente para a criança se transformar”, disse.
Possibilidades para inserir o conteúdo educativo na atividade lúdica sem ferir a espontaneidade do brincar são discutidas por pesquisadores há algum tempo, segundo explica a mestre em Psicologia da Educação e do Desenvolvimento Humano, membro da diretoria da Associação Brasileira de Brinquedotecas – ABBrin e da International Toy Library Association – ITLA, Sirlândia Teixeira. “Quando utilizamos os jogos, brinquedos e brincadeiras como instrumentos educativos, precisamos levar em conta que o fato de participar de um jogo não garante a aprendizagem. Outra questão importante é que, ao se propor a atividade lúdica como instrumento educativo, pode-se eliminar as características desta atividade, igualando-a a outras atividades pedagógicas”.
Para Teixeira, a brincadeira deve estar presente como suporte da aprendizagem no contexto dos conteúdos, dentro e fora da sala de aula. Neste sentido, a brinquedoteca apresenta-se como espaço onde a criança pode aprender e interagir com os amigos. “Na brinquedoteca, o professor pode trabalhar conteúdos curriculares de uma forma motivadora e prazerosa, uma vez que nos diferentes tipos de jogos e brinquedos são contemplados diversos conteúdos das disciplinas. Porém, também é importante que o professor reserve um tempo na grade curricular para o brincar acontecer de forma livre e espontânea”, disse.
Nas escolas públicas, os alunos possuem, geralmente, 15 minutos de intervalo para o lanche e a brincadeira. Segundo a gestora institucional da Aliança Pela Infância, Giovana Barbosa, esse tempo é curto para que a criança possa estruturar uma brincadeira. “Há o desafio de continuar olhando para o brincar também no primeiro ciclo do ensino fundamental, porque a criança não deixa de ser criança aos 8 anos. O ideal seria ter esse espaço na escola até os 12 anos, pois muitas vezes a escola é o único lugar em que a criança tem essa atividade”.
Para sensibilizar a sociedade sobre o assunto, a Aliança Pela Infância promoveu aSemana Mundial do Brincar, campanha que envolveu 102 municípios, 85 mil crianças e 14 capitais brasileiras. “A abertura para o tema existe e as pessoas se identificam com essa necessidade. No entanto, muitas vezes, os professores não conseguem desenvolver essa atividade pelas dificuldades encontradas na escola. Acho que estamos no caminho para colher uma mudança de consciência sobre a importância do brincar”, afirmou Barbosa.
Informações Pamella Indaiá/ Blog EducaçãoFonte: Rede Nacional da Primeira Infância











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